21/11/2019 Diário da Amazõnia Livre ATITUDE GLOBAL

Racismo ainda existe e pode ser combatido

Debate

Racismo ainda existe e pode ser combatido

Consciência Negra a data tem gerado oportunidades para o debate contra as desigualdades

Por > DIÁRIO DA AMAZÔNIA

Convocada pela campanha: Reaja ou será morto, acontece a 2ª Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro. O movimento luta pelo fim do genocídio da população negra e contra o racismo. (José Cruz/Agência Brasil)

O termo Consciência Negra é usado para expressar a percepção histórica e cultural que os negros têm de si mesmos. Representa também a luta dos negros contra a discriminação racial e a desigualdade social. O Dia da Consciência Negra (20 de novembro) é comemorado em todo território nacional. Esta data foi escolhida por ter sido o dia da morte do líder negro Zumbi, que lutou contra a escravidão no nordeste. A celebração relembra a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade.

A celebração relembra a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade. Afinal, as gerações de afro-brasileiros que sucederam a época de escravidão sofreram (e ainda sofrem) diversos níveis de preconceito.
Rondônia

Em Rondônia, a data será comemorada na Assembleia Legislativa, hoje, a partir das 14h30, com homenagens às personalidades negras com atuação no Estado. A proposta é do deputado Lazinho da Fetagro (PT) que propôs a mensão de Voto de Louvor às pessoas ligadas à causa e defesa do negro. “Os movimentos sociais têm história de luta e resistência para combater a discriminação racial e as desigualdades”, disse Lazinho.

A fotógrafa Marcela Bonfim é uma das pesquisadoras sobre a presença do negro na Amazônia e criou a mostra fotográfica “(Re) conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências negras na floresta”, que foi vista por milhares de pessoas neste ano Ela justificou o projeto como forma de dar visibilidade à participação dos negros na formação populacional, cultural e religiosa no Estado de Rondônia.

Entre os destaques da contribuição do negro para o Estado, a existência de quilombos no Vale do Guaporé e, na migração para a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Negros nas universidades

Dados divulgados no último dia 13, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que a abertura de cotas raciais tem oportunizado o acesso do negro à formação superior. Pela pesquisa, a proporção de pessoas pretas ou pardas (que compõem a população negra) cursando o ensino superior em instituições públicas brasileiras chegou a 50,3% em 2018.

Apesar desta parcela da população representar 55,8% dos brasileiros, é a primeira vez que os pretos e pardos ultrapassam a metade das matrículas em universidades e faculdades públicas. A comparação foi feita com as informações do suplemento de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – Contínua (PNAD Contínua), que começou a ser aplicado em 2016.

A pesquisa mostra que a população negra está melhorando seus índices educacionais, tanto de acesso como de permanência, apesar de ainda se manter bem atrás dos índices medidos entre as pessoas brancas. A proporção de jovens de 18 a 24 anos pretos ou pardos no ensino superior passou de 50,5% em 2016 para 55,6% em 2018. Entre os brancos, a proporção é de 78,8%.

Na mesma faixa etária, o número de pretos e pardos com menos de 11 anos de estudo e que não estavam frequentando a escola caiu de 30,8% em 2016 para 28,8% em 2018, enquanto o indicador para a população branca é de 17,4%.

Racismo no futebol

O comportamento racista é observado em diversos setores da sociedade brasileira como no trabalho, na escola e na convivência. No ambiente da violência, o negro também aparece com ampla desvantagem às demais raças, indicando a presença do racismo na população nacional.

O futebol, esporte favorito do brasileiro, é outro ambiente de grande hostilidade. Diversos casos de injúria e racismo vêm à tona, repetindo uma história secular. Os episódios mais recentes foram dentro dos campos de futebol, dentro e fora do Brasil, nos quais jogadores e seguranças ouviram gritos ou comentários pejorativos sobre sua cor.

“Pesquisa divulgada pela Rede Nossa SP, na semana passada, valida a percepção de que a existência de leis rígidas contra o racismo não consegue mudar o que está na estrutura da nossa sociedade. A maioria dos pretos e pardos da cidade de São Paulo, por exemplo, acredita que o preconceito e a discriminação contra a população negra se manteve ou aumentou nos últimos 10 anos”.

Na opinião de Edson Knippel, advogado criminalista especializado em direito processual penal e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o racismo é estrutural no Brasil e precisa ser desconstruído em todas as esferas: no trabalho, na escola, no lazer, nas relações pessoais. “Não se pode tolerá-lo nem em forma de piada”, alerta.